A irmã e o irmão entre Oxford e Lisboa, 2222 quilómetros de caminho, se puxarmos o fio aparece um blogue bilingue e a porta da Quinta das Pedras, enlaçados ao fio estão os postais e as cartas que ficaram por escrever, as palavras invisíveis desenham uma janela para a marquise, uma janela para a varanda, uma cágada entre mãos no parapeito, de pescoço esticado ao vento para o círculo de andorinhas, batalhas de água na cozinha, manhãs de sol branco e os pés na braseira, tardes de céu descoberto a derreter e os pés na pedra cor-de-vinho húmida da varanda, árvores, o parque, a Cátrela dos dentes partidos, um comboio de cimento, bicicletas a três, de passeio até à estrada romana, camisolas de lã nascidas de mãos e paciência maternais, ovelhas, burros, vacas, velhotes surdos, bailarinas, orquestras todos de barro moldados e pintados por dedos de pai, almoços de domingo e jantares de sábado, a dois cavalos branca e um rio Ocreza por retratar, a dois cavalos branca e uma casa de bonecas na quinta dos amigos dos vizinhos, dois vizinhos e um corredor entre as portas abertas, um blogue bilingue de portas abertas e o corredor de 2222 quilómetros desagua em Oxford e em Lisboa, mas no meio descansa Castelo Branco e no regresso ao centro descansamos todos.
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As palavras de quem comenta
Idos